Um dos mais esperados espectáculos será “Vagabundus”, uma criação de Ídio Chichava que já foi aos palcos mundiais, de África para Europa e América do Sul. O espectáculo é um autêntico manifesto do colectivo, do olhar diferente à migração e a ideia de que o mundo é feito de pessoas, que se comunicam umas com as outras, dos trânsitos e fixações. Listamos a seguir sugestões mais interessantes e imperdíveis de performances na cidade de Maputo até o fim do mês de Agosto.

“Prematuro” – performance de dança na Mafalala

O espaço Projecto Utopia Mafalala acolhe a performance de dança “Prematuro”, protagonizada pelos bailarinos Martina Schiattarella, Malton dos Banto e Diogo Igor Amaral. A iniciativa é da Associação Cultural Converge+ e o Projecto Festival Raiz.

Com o título “Prematuro”, a performance mergulha numa realidade sensível e urgente: num país onde ser menina é, muitas vezes, sinónimo de uma infância roubada, esta obra denuncia a dor de quem foi moldada como objeto, silenciada pela pobreza e forçada a trilhar um destino imposto.

Esta apresentação marca o início das exibições públicas dos resultados da Formação para a Profissionalização de Bailarinos Tradicionais em Contexto Contemporâneo, que decorreu entre 2 e 27 de Junho de 2025. O módulo teórico foi realizado na Casa Velha e o módulo prático no próprio Espaço Utopia Mafalala.

Estreia do espectáculo “Alma de Mariposa”

“Alma de Mariposa” é um espetáculo que pulsa memória, corpo e reexistência. Com direcção teatral de Sufaida Moyane, a obra reúne performance, dança e poesia para dar vida a corpos renegados, trajetórias silenciadas e histórias que insistem em florescer. No elenco, as atrizes Xicalia Salimo, Mana Ingra, Tiffany Mendonça e Henry Mate — vozes dissidentes que transformam suas vivências em linguagem cênica.

Com produção do projeto Encantarias Transoceânicas – Laboratório de Criação Artística LGBTQIA+, idealizado por Laís Volpe e Karen Ferreira, a apresentação marca um importante passo na construção de novas narrativas, estéticas e possibilidades para artistas LGBTQIA+ em Moçambique.

“Matapata” – performance de Ídio Chichava

Como se reinventa um corpo forçado ao abandono? Como se caminha quando o chão já não existe? Em “Matapata”, o corpo dança entre ruínas, lembranças e fantasias, numa tentativa poética de existir em tempos de emergência.

Esta criação coreográfica é uma resposta sensível e estética ao conflito armado em Cabo Delgado, província moçambicana assolada por violência desde 2017.

Dirigido por um dos mais importantes coreógrafos moçambicanos da actualidade Ídio Chichava e Cia Convergemais, “Matapata” é um ensaio em movimento que atravessa o trauma e constrói novos olhares, comportamentos e espaços simbólicos. Da dança contemporânea à memória coletiva, do gesto à arquitetura do exílio.

“Sobre toda Escuridão”: temporada de teatro no IGR: 

Um homem entrega-se por completo a uma depressão profunda, depois que sua mulher, Susana, morre, em circunstâncias inesperadas, numa queda aparatosa de um prédio. Entre o presente e o passado, tenta se erguer e reconstruir a sua a vida depois do amor frustrado, ou culpa percutida. Os vaivéns da memória, as alucinações e todo o pensamento trágico o perseguem. As lembranças reconstroem um triângulo amoroso, com a entrada de Filipa, uma mulher que se dedica para o ajudar a levantar. Mas nada é tão simples como parece. Quando tudo parece tomar algum sentido, ele toma uma decisão difícil e inesperada.

Texto: Mélio Tinga | Direcção: Ramadane Matusse | Interpretação: Maria Auzenda e Paulo Jamine | Dança: Francisca Minine | Soud design: Gerson Mbalango | Luz: Orlando Intimane. Uma produção da CATALOGUS

“Vagabundus”, o manifesto em jeito de dança

Na performance, 13 intérpretes dançam e cantam sem interrupção canções antigas e actuais de Moçambique, combinando também motivos gospel e barrocos. O espectáculo destaca a força da união e da partilha através da dança e da voz, dispensando cenários, trajes elaborados ou efeitos de luz. Apenas os objectos pessoais dos artistas acompanham a narrativa, que retrata a vida como uma jornada de encontro e pertença a uma comunidade.

Vagabundus inspira-se nos movimentos migratórios e nas danças rituais dos Makonde, que vivem em Moçambique e nos países vizinhos. A peça aborda a realidade dos que se deslocam, das suas dificuldades, das suas descobertas e da busca constante por um lugar onde se possam sentir em casa.

“Não deixa arder até tarde o fogo”: de poesia ao palco

Inspirada na obra literária “Criação do Fogo”, de Álvaro Fausto Taruma, a peça mistura teatro, dança, poesia, projecções visuais, música e malabarismo com fogo. 

O palco torna-se campo de batalha simbólico onde se confrontam conflitos sociais, guerras não declaradas, catástrofes ambientais e desigualdades humanas.

A cada gesto e cada palavra, o fogo surge como metáfora de destruição, mas também de renovação, resiliência e recomeço.

A peça teatral “Não Deixa Arder Até Tarde o Fogo” é um grito experimental contra a apatia, que será exibida nos dias 27 e 28 de Agosto, pelas 19 horas,  no Espaço Cultural 16 NetO. 

“Escalar”, espectáculo de dança de Vasco Sitoe

“Escalar” é uma criação coreográfica que propõe uma viagem íntima e física ao centro do ser. A obra parte do impulso humano de superação, de busca e de transformação, para refletir sobre a ação de subir, escalar, como metáfora de crescimento, resistência e conquista.

Este trabalho explora a relação entre corpo, espaço e intenção. Ao romper estados de inércia ou desconhecimento, o corpo movimenta-se em direções múltiplas, criando paisagens físicas e emocionais. O movimento surge como linguagem de descoberta e como instrumento de seleção de caminhos, simbolizando não só o acto literal de escalar, mas também  o desafio de avançar em direção a um objectivo.

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