A fase presencial da 5.ª edição da Residência Artística UPCYCLES arrancou esta semana em Maputo, reunindo os cinco artistas seleccionados para a iniciativa, ndamente, os moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, a cabo-verdiana Gilda Barros e a angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto.
Após dois meses de trabalho preparatório realizado à distância, os criadores encontram-se agora na capital moçambicana para um período de imersão que se prolongará até 10 de Abril, data em que serão apresentados publicamente os resultados da residência. O encontro de arranque, de carácter privado, serviu para os artistas partilharem os projectos individuais desenvolvidos na fase online e alinharem as próximas etapas do trabalho colaborativo.
A residência, promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM) com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, desafia os participantes a reinterpretar arquivos audiovisuais históricos dos PALOP. A edição deste ano recebeu 37 candidaturas, tendo o júri – composto por Ângela Ferreira, Diana Manhiça e João Roxo – seleccionado os cinco artistas com base em critérios como originalidade, impacto e viabilidade técnica.
Os moçambicanos Mário Cumbana, vencedor do Prémio Mozal 2025 na categoria de Fotografia e fundador do estúdio MAC Creative Lines, Thandi Pinto, cujo trabalho explora a memória colonial através da colagem digital e analógica, e Délfio Muholove, criativo multidisciplinar com foco em impacto social, juntam-se à cabo-verdiana Gilda Barros, muralista e pintora que participou na 15.ª Bienal de Dakar, e à angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto, investigadora e cineasta que desenvolve um trabalho sobre as comunidades negras na antiga Alemanha Oriental.
A organização sublinhou que esta edição se distingue pela atenção dada às histórias não contadas e aos silêncios que atravessam os arquivos oficiais dos PALOP, com particular relevo para as narrativas das mulheres Madgermanes, as trabalhadoras moçambicanas contratadas pela antiga República Democrática Alemã, um tema central na pesquisa de Maresa Nzinga Pinto.
Durante as próximas semanas, os artistas desenvolverão os seus projectos em regime de imersão, com sessões de visionamento de arquivos, oficinas práticas e momentos de criação colaborativa. A inauguração dos trabalhos está agendada para o dia 10 de Abril, em evento aberto ao público.




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