Hoje vou escrever sem muito papo e até podem criticar-me, mas vou falar de homem para homem. Há coisas que se tornaram tão comuns no nosso meio que já quase ninguém questiona porque parece normal.

Há um comportamento que muitos de nós já vimos, já presenciámos, alguns já fizeram e outros já sofreram. Aquele acto de “viajar” outro homem, de o diminuir, de o testar, sobretudo quando ele está acompanhado pela sua companheira. E o mais estranho é que isso, para alguns, parece normal. Mas vamos falar a verdade. Isso não te faz mais homem. Faz-te “puto”.

É no ginásio, onde alguns usam o corpo como ferramenta de intimidação ou sedução dirigida à mulher do outro. É na igreja, onde até pastores, que deveriam ser exemplo de contenção e respeito, por vezes cruzam olhares e palavras que ultrapassam limites. É na universidade, onde professores confundem autoridade com poder sobre a atenção das mulheres. É na rua, nos bairros, nos bares, nos “chapas”. O cenário repete-se.

Um casal passa. E há sempre alguém que assobia, que comenta, que olha de forma provocadora, tentando chamar a atenção da mulher, mesmo sabendo que ela está acompanhada. E pior ainda, faz isso com o homem ali. Olha para ele, medindo-o e testando-o. Como se fosse uma competição. Mas competição de quê? De falta de juízo, só!

Já vimos isso em outras situações: um homem sentado com a sua namorada num restaurante e outro aproxima-se com piadas, com insinuações, com aquele tom de quem quer mostrar que chegou. Já vimos em festas, onde alguém insiste em dançar com a mulher do outro por desafio. Já vimos em conversas entre grupos, onde um homem tenta reduzir outro, fazer piadas à sua frente, questionar a sua posição.

E tudo isso acontece sob o disfarce de normalidade. Mas não é normal, é falta de respeito. E precisamos de dizer isso “na cara”, porque ser homem não é apenas ter força, dinheiro ou presença. Ser homem também é saber limites. É saber onde parar e reconhecer o espaço do outro.

Na filosofia africana Ubuntu, existe uma ideia simples, mas profunda: eu sou porque nós somos. A minha dignidade está ligada à tua. O meu valor não cresce quando te diminuo.

Quando tentas humilhar outro homem para parecer maior, estás a quebrar esse princípio.

Kwame Nkrumah falava da necessidade de consciência colectiva. De perceber que a nossa acção individual tem impacto no todo. E talvez seja isso que nos falte nestes momentos.  Consciência de que aquela mulher não é um troféu em disputa. Consciência de que aquele homem merece respeito, independentemente de quem ele é. Consciência de que a tua atitude diz mais sobre ti do que sobre eles.

Por outro lado, vale dizer que alguns fazem isso porque se sentem inseguros. Sim, insegurança. Porque o homem seguro não precisa de provar nada. Não precisa de competir em todo lugar. Não precisa de chamar atenção para si em situações que exigem naturalidade. O homem seguro observa e respeita. O inseguro provoca. E talvez seja aqui que devíamos repensar o que significa ser homem na nossa sociedade.

Há regras não escritas que fazem toda a diferença. Se encontras outro homem acompanhado, cumprimenta a ele, respeite o espaço entre ele e sua companheira.  Olha nos olhos dele. Mantém postura. Isso é elegante. E elegância é uma das formas mais altas de masculinidade.

Já vi homens ignorarem completamente a presença do companheiro. E situações que quase terminaram em confronto físico por causa de uma palavra mal colocada. E tudo isso podia ser evitado com algo simples: respeito. Não apenas pela mulher enquanto figura humana. Mas pelo homem que ela escolheu estar ao lado. Porque, no fim, a questão não é sobre ela. É sobre nós. Sobre o tipo de homem que escolhemos ser quando ninguém nos obriga a ser melhores.


Descubra mais sobre kiyonga

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Tendência